quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pontos de vista

E se fossem meus teus olhos,
assim como os meus são teus,
não seriam teus teus olhos,
mas sim todos eles meus.

Rio, 23 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Quem sou eu

Alguém que procura a felicidade, mas sabe que ela pode tanto nunca ser encontrada, como após ser encontrada, nunca ser perdida; que procura o sucesso, embora saiba que este pode ser interpretado de um milhão de diferentes formas; que procura a amizade, embora já tenha encontrado muitas e perdido tantas outras; que procura melhorar, mesmo sabendo que às vezes parece impossível e outras parece tão fácil; que procura saber quem é, mesmo que talvez já saiba isso desde que nasceu ou talvez não descubra antes de morrer; que procura o lado bom de tudo, ou pelo menos tenta; que às vezes acha que tudo que fez e faz não serviu pra nada, e às vezes se engana sobre isso; que procura coisas que valham a pena serem encontradas e perseguidas, amadas e servidas, feitas e esquecidas, vividas e lembradas, ditas e pensadas. Mas, acima de tudo, alguém que procura — e assim pretende seguir. Talvez nunca encontrando, mas sempre a procurar.

Rio, 2007

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conclusão do 1º período de Bacharelado em Teatro, na UniverCidade


Antes, algumas explicações: no trabalho de dissertação de fim de período, no curso de Bacharelado em Teatro, nos é permitido escrever na 1ª pessoa (tanto do singular quanto do plural), pois soaria muito estranho um ator falando da sua própria experiência usando algo do tipo "e então, o ator sentiu isso". Tendo isso em vista, abaixo transcrevo o trabalho de avaliação final na disciplina "Introdução ao Teatro - Teoria", cujo tema era "a descoberta mais significativa que você fez nesse 1º período".

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O teatro através do espelho:
A artificialidade como ferramenta criadora da verdade cênica


     Creio ter sido quase instantânea a minha escolha do assunto que seria tratado nesse texto. O fato é que, assim que a professora Thereza nos sugeriu o tema de “uma descoberta importante”, minha mente viajou até uma aula de Interpretação do professor Vítor Lemos, ocorrida durante o mês de setembro. Na mencionada aula, assistindo à improvisação (ainda sem falas) de dois colegas, foi que entendi o que verdadeiramente era o jogo teatral.

     Talvez, para falar sobre isso, eu devesse voltar ainda mais, mencionando minhas experiências com o teatro antes de me unir ao corpo discente da UniverCidade. Isso porque nos cursos antes feitos por mim (à exceção, talvez, de um) o prisma sob o qual o teatro foi visto era o da representação, do fingimento. No entanto, creio que eles foram fundamentais para meu amadurecimento como ator e como pessoa, na medida em que me trouxeram ao lugar onde estou agora. E esse é somente o início da interminável jornada pela busca do teatro como jogo, verdade e espaço de auto-investigação.

     Lembro-me, como se fosse hoje, do momento em que realmente os pontos se ligaram. Foi durante a improvisação de dois colegas, Leandro Argon e Gabriel Pimentel, na qual o antecedente era que Leandro havia “ficado” com a namorada de seu melhor amigo, Gabriel, que descobrira tudo. A cena se dava num reencontro, onde o objetivo do primeiro era que o segundo o desculpasse e o deste, que aquele saísse da casa. Ainda está vívida na minha memória a imagem do momento em que Leandro entra na sala, olha para Gabriel e pára. Pelo modo como ele observa seu colega de cena, noto algo de estranho, de anti-natural. Por um instante fico perdido, tentando decifrar o que seria aquele estranhamento. Então percebo: ele está ali, literalmente, atravessado pela circunstância, respondendo sinceramente aos estímulos, lutando por um objetivo real e buscando se investigar. E aí as peças do quebra-cabeça se uniram. Girando em parafuso, digo a mim mesmo: “Isso é o jogo teatral, isso é estar em cena.” Enfim eu me encontrava com o teatro.

     Esse encontro, que fez cair por terra tantas construções e idéias pré-concebidas, por si só teria bastado para muitas noites de indagações. No entanto, na aula seguinte, chegou a minha vez de improvisar com meu colega Aaron Santos, baseado no mesmo antecedente que mencionei acima. Durante o trabalho, procurei realmente jogar com meu companheiro de cena, me libertando de quaisquer noções da dita “naturalidade”. Não era preciso representar que algo estava acontecendo, pois algo realmente estava acontecendo. O resultado foi uma qualidade de atenção enorme e uma escuta indescrítivel – do outro, de mim mesmo e de tudo que acontecia naquela sucessão de fugazes momentos presentes – como na imagem que nos traz Peter Brook:

Na Índia, os grandes contadores de história que narram o Mahabharata nos templos nunca perdem contato com a grandeza do mito que estão fazendo reviver. Têm um ouvido voltado para seu interior e o outro para fora. É o que deveria fazer todo ator de verdade: estar em dois mundos ao mesmo tempo. (BROOK, 1999: p. 27)

     Ao término da improvisação, era perceptível para mim como cada momento fora vivenciado intensamente. Esse fato me confirmou a idéia de que a cena é como o arco e a flecha de que nos fala Herrigel, que “[...] são, por assim dizer, nada mais do que pretextos para vivenciar algo [...]” (HERRIGEL, 2007: p. 19).

     Após essa experiência, tornou-se gritante para mim a diferença de qualidade entre alguns trabalhos que seguiam uma linha de “imitação da realidade” e outros que buscavam realmente jogar. É como nos diz o já citado diretor inglês: “Vamos ao teatro para um encontro com a vida, mas se não houver diferença entre a vida lá fora e a vida em cena, o teatro não terá sentido” (BROOK, 1999: p. 8). Entendi o que o professor tentara dizer à turma nas vezes em que comentara que o ator não deveria buscar “uma naturalidade, mas sim a verdade” (Vítor Lemos). Concluí, também, que talvez um dos mais fáceis meios de se criar o Teatro Morto, entediante, de que nos fala Brook seja através desse pseudo-naturalismo, pois “quando novas peças se propõem a imitar a realidade, nós percebemos mais o que é imitativo do que o que é real” (BROOK, 1996: p. 44, tradução minha).

     Em contraste com minhas prévias experiências com o trabalho interpretativo, eu agora notava que o real teatro só acontecia quando o ator se permitia estar no momento presente, jogando com seu(s) parceiro(s). Opondo-se à idéia de criar a impressão que o mundo no palco é igual ao mundo lá fora, surgia-me a idéia de que “criar uma ilusão da realidade é apenas criar uma ilusão” (GRANT, 1988: p. 254). É preciso, portanto, que o ator saiba diferenciar o seu trabalho do trabalho do mágico/ilusionista pois, como nos diz Tennesse Williams em sua peça The Glass Menagerie, “Ele [o mágico] lhes dá a ilusão com aparência de verdade. Eu [o dramaturgo] lhes dou a verdade, sob o agradável disfarce de ilusão” (WILLIAMS, 1999: p. 4, tradução minha). O ator, para permitir que a possibilidade de vivenciação entre em cena, talvez precise ser de uma terceira categoria: deve oferecer a verdade, sem disfarce algum. Restará ao espectador a escolha de travesti-la de ilusão ou não.

      Concluo, portanto, que o verdadeiro teatro talvez seja composto desses intocáveis momentos de realidade pura onde o ator se permite ser, entre outras coisas, artificial e verdadeiro. Nesses breves instantes, a cena ganha a possibilidade de ser um mergulho através do espelho, de dentro para fora dele. E então, nós temos a oportunidade de ter um vislumbre da verdade que tanto nos falta do lado de dentro do espelho.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BROOK, Peter. The Empty Space. New York: Touchstone, 1996.
_____. A porta aberta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
GRANT, Joan. O Faraó Alado. São Paulo: Pensamento, 1988.
HERRIGEL, Eugen. A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. São Paulo: Pensamento, 2007.
WILLIAMS, Tennessee. The Glass Menagerie. New York: New Directions Books, 1999.


Rio, 8 de dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pedido

para Carlos Drummond de Andrade 

Estive sentindo
um algo, já findo,
espécie de dor.

A dor eu já sei,
e já lhes direi,
ardeu sem pudor.

Plantei-as aqui,
mas não as colhi:
espécies de flor.

Agora, já pleno,
espero veneno:
você, o torpor.

E a última coisa
que tenho a dizer:
se devo morrer,
que eu morra de amor. 

Rio, ?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

pós-RGB

E, embora não enxergue
além do olho mesmo;
embora não nos ouça,
e atire amor a esmo;
embora seja estranho
e, portanto, tão normal;
embora breu que cubra
parte toda do final;
há de haver ainda,
lá no fundo do engrenar,
a surpresa, mais que linda,
que um dia virará
a certeza, nunca finda,
de que ainda hoje há,
e que sempre haverá
o ressoar, bem lá no fundo,
de amor em todo o mundo.

Rio, 6 de novembro de 2008

Aureliano puxou o gatilho

Aureliano puxou o gatilho. Por tudo quanto conseguisse se lembrar havia sentido – primeiramente no estômago, por fim no corpo todo – vontade de matar alguém. Aureliano puxou o gatilho. E lembrou-se de tempos idos, tempos aqueles dos quais a rememoração nada é senão um breve relance sobre fotos borradas, filmes em sépia, flashes incontroláveis; é olhar por sobre as fotos e derramá-las, ao invés de lágrimas. Um soluçar não anunciado chamou sua atenção de volta à pessoa que lhe olhava nos olhos, ajoelhada à sua frente, como que a suplicar que não perpetrasse o ato. Aureliano puxou o gatilho. A rememoração voltou, trazendo consigo a dor de crimes sempre concluídos, amores nunca sentidos, trazendo consigo a fome, a droga, o ódio; dessa dor emergiu a raiva, com sua baba verde a escorrer pelos cantos da boca, e sangue a bombear os olhos de vermelhidão intensa. Aureliano puxou o gatilho. Olhou para o ser humano, que desprezava, a sua frente, ainda a lhe suplicar. Ajoelhado, vestindo trapos, sujo, de chinelo, como um rato, uma barata, um pedaço de lixo que lhe parecia apenas servir para enfeiar sua vida e sua cidade, pingando de suor, com outros três cadáveres ao seu lado, somente pra aumentar o asco da cena ensangüentada. Aquela criatura, de cabelos mal raspados, cicatrizes espalhadas por todo o corpo, vítima de uma sociedade que não lhe aceita, nem vê; aquela pessoa, ainda que não fosse tratada como tal. Aureliano sentia as lembranças jorrarem fora da cabeça como um hidrante desregulado e irritante; imagens vivas se formavam à sua frente, como a lhe implorar que se mantivesse são. Sua mãe, medíocre, sempre se contentando com o pouco quase nada que lhe foi dado a vida toda – morta; seu pai, subserviente, aceitando desacatos dia sim outro também, de forma a poder sustentar a família e levar uma vida que considerava digna – morto; seus irmãos, também nas ruas como ele, filhos de uma geração que partiu de sertões infindáveis em busca de algo melhor, apenas para encontrar um novo sertão, mais seco, mais cruel, mais urbanizado, mais moderno, mais arranha-céu, mais roupas de grife – mortos. Seco, era assim que ele se sentia. Seco. Nada havia que lhe banhasse o ser, nada nem ninguém lhe penetrava o coração, tudo lhe era indiferente, sua própria vida não mais lhe importava. Nada havia, nada sentia, nada tocava, nada era. Aureliano se levantou. A pessoa que lhe encarava, também. Apontou a arma e, finalmente, puxou o gatilho. O sangue sujou o espelho prostrado à sua frente.

Rio, 2009

Aos dezessete

Devo confessar-me pouco propenso a radicalismos esses tempos. Não sei se é somente uma questão de mudança humana ou apenas o meio exercendo seu poder sobre o ser. O fato é que, de uns tempos pra cá, tenho preferido pegar o "caminho do meio", como disse Buda; como sempre, tenho dado preferência às alternativas que melhor me aparentam. Mas essas têm sido, não raramente, as "do meio". Talvez por causa da idade – não, não me considero velho, não é isso, mas com ela – a idade – vêm mudanças, e digo isso não no sentido de "muita idade", mas antes no sentido de número de vezes que viu as quatro estações, ou número de aniversários que já teve. Sim, com seus 17 anos o mundo ainda te olha com um leve desprezo por suas idéias que subestimam como "infantis" ou "ingênuas", mas este não passa de inveja, porque aos dezessete ainda conserva plenamente o vigor da juventude e aproxima-se da busca por opções na vida adulta. Logo, tem o poder de balancear. Escolhe não aquela que parece ser a única opção, – pois não parece ter únicas aos dezessete – mas sim as que deixam espaço para consertos ou até mesmo mudanças. Trata-se, provavelmente, do fato de subconscientemente saber que ainda muitas outras virão e não deve se fechar a mudanças tão cedo quanto os dezessete possam aparentar. E, embora possa parecer, aos dezessete a vida não é fácil. Certamente não são as mesmas complicações de uma vida plenamente adulta, mas é justamente essa dúvida entre partir ou não para esta que fazem aquelas tão difíceis quanto – aparentemente. Não duvidem de nós! Nossos atos têm tanta conseqüência quanto os seus para o futuro, ou até mais. Nós somos o futuro, aqueles que terão que recriar as bases social, monetária e humana, e que terão muito mais peso em suas mãos do que é possível imaginar. E, agora finalmente voltando ao nosso assunto principal, espero que façamos tudo isso com ele. Ele que governa nossas ações e que nos fará pensar nos outros tanto quanto – ou mais – do que em nós mesmos: o amor. Então, a ele!

Rio, 14 de novembro de 2007
(aos dezesseis anos)

Não sou


Não sou da opinião de que tudo dá certo no final. Tampouco sou daquela que prega que se tudo está bem, é porque não acabou. Creio, isso sim, que às vezes as coisas dão certo e outras só estão bem porque ainda não acabaram. Porém, é impossível prever qual será a probabilidade para qualquer dos lados, já que não há sistemas ou equações para a vida. E aí está. A beleza da vida é exatamente essa: a sua imprevisibilidade. E é exatamente por causa dela que os riscos tornam até as coisas mais simples, desafios; e as mais difíceis, deleites prazerosos após sua orgulhosa conclusão. Os riscos fazem a vida ser o que é. Mas algo mudou. O ser humano não é mais o mesmo, não é aquele que partia em cruzadas intermináveis apenas para ganhar a mão da amada, sem saber mesmo se voltaria para tê-la conforme o prometido. Não é aquele que partia nas caravelas, rumo ao que cria ser as Índias, sem saber se a Terra era plana e cairia ou não num abismo sem fim, habitado por algo que não sei. Não entramos mais nas cavernas desconhecidas de nossas vidas. Deixamo-las como estão: escuras, frias e isoladas. A comodidade do sistema atual de pensar por nós e nos dizer o que fazer, comprar, vestir e falar, tornou-nos escravos de algo que não queremos denominar. Somos, agora, acorrentados de nós mesmos e de nossa infindável preguiça, de nossa acomodação. Assim, somos todos potencialmente covardes, calculando probabilidades até mesmo em relação ao amor, quando este, o mais puro de todos, deveria ser risco pleno e irracional, um salto no trapézio sem rede. Lancemo-nos, então, sem medo de encontrar o chão frio e duro abaixo. Mas, quem sou eu para falar os outros de covardes? Quem sou eu para dizer como saltar, ou até mesmo porque fazê-lo? Ninguém. Apenas exponho tais devaneios aqui. E as cavernas? Que fiquem para os corajosos. E que eles, um dia, chamemos de "nós".


Rio, 12 de novembro de 2007

Sobre o meu amor

Faço o meu melhor.
Mas se o meu melhor o melhor não for,
só posso lhe dizer
que foi o mais sincero o meu sincero amor.

Amor, se não foi suficiente
e se para ti aquilo tudo não valeu a pena,
digo-lhe, eu, sinceramente,
que a sinceridade, por si só, te fez serena.

Serena agora estás,
paraste de olhar pra trás,
mas escondes e engoles o choro que vem.

É escolha tua a de infeliz ser.
Já tantas vezes tentei lhe dizer:
deixa as lágrimas virem que a vida vem também.

Rio, 2008

Soneto do tempo

Quem dera não houvesse antes sido fincada
essa rija bandeira de crer ser o eterno melhor.
Fazendo-me, assim, o que combate pior,
mereço eu apenas o que sobrou da tua estada.

Queria ter talvez aportado um pouco mais cedo
e encontrar, aqui, terra nunca antes pisada;
sabendo que eu, então, a tornava visitada
por algo que não o calor, tampouco o medo.

E, assim, quando um dia me procures novamente
hei de dizer-te que meu amor foi, eternamente,
maior que o dele em toda sua possibilidade.

E talvez então você compreenda, ou talvez não,
que o amor é como uma ventania, um furacão:
sua cronologia não se liga à sua intensidade.


Rio, 2008

Você

Nas tênues entrelinhas do teu silêncio percebo as mesmas palavras que tanto insisti em dizer e que tomaste para ti, plantando-as num jardim que hoje cuidas e chamas de teu; em busca das mesmas sutilezas que emanas com um breve eterno olhar, silencio-me; em busca de nada além do teu segredo em como ser assim você e eu sem ser mais você do que eu nem vice-versa, tento encontrar-me; morto, então, respiro-te para voltar a uma nova vida que, agora sim, podes chamar de tua.

Rio, 2008

Inauguração


Já cansei de blogs. Não me entendam mal, a ferramenta é genial, o problema está em mim. Sempre que me proponho a fazer um, crio metas: organizar os esparsos escritos dos últimos tempos, separar por temas, criar um layout agradável (ou pedir a alguém que o faça, o que é mais provável) e muitos outros planos que nunca deixam de ser apenas planos. Não sei se era falta de paciência; não me atrevo a mais essa auto-análise consciente, no momento. Peço a todos (leia-se eu mesmo) que não se apeguem demais ao site, pois que não tenho a menor intenção de comparecer diariamente, nem mesmo semanalmente; tampouco digo que minhas aparições serão esparsas. Pretendo vir, literalmente, sem regra e sem exceção. Não haverá periodicidade, linearidade, temas em comum, estilos de época, citações, sonetos, coerência — ou talvez haja tudo isso e eu não enxergue. O que importa é que esse pequeno local conterá apenas um ser humano, com todas as complexidades, camadas e devaneios que isso implica. E por isso, pelo ser humano, cá vou eu novamente - ou lá vou eu, vai saber. É como já bem dizia o poetinha: que seja infinito enquanto dure.

Explicito e explico abaixo as categorias criadas por mim, a título de organização:

Ficção: narrativas ficcionais;
Não-ficção: narrativas não-ficcionais;
Dissertação: textos opinativos, segundo a norma dissertativa;
Opinião: textos opinativos, segundo norma nenhuma;
Poesia: escritos do gênero poético;
Prosa: devaneios, fluxo de pensamento, incoerências;
Resenhas: críticas, comentários.
Aforismos: frases.

Não devo negar que a ironia de começar um blog dizendo que já havia me cansado de blogs me atraiu (tenho um fraco por contradições). Mas devo também assumir que a paradoxalidade de cada um dos escritos (este, inclusive) é minha e, portanto, eu. A complexidade é o mundo, do único modo como o conheço: através de mim mesmo. E, nesse mundo, estão inclusos todos os seres humanos (eu, inclusive). Esse blog, acho, é e será sobre isso. Ou não, sei lá.

Não é à toa que esse blog nasce no mesmo dia que eu, dezenove anos depois. Agora, o motivo pelo qual isso não é à toa ainda não nos é sabido.

Peço paciência, pois um escritor (não apenas os que fazem disso uma profissão, mas toda e qualquer pessoa que sentenciona palavras de modo a formar uma idéia, ou imagem, ou o que quiser) se revela em doses homeopáticas. E, por vezes, inconscientemente.

Rio, 26 de novembro de 2009 

Editado em 7 de abril de 2010: "Prosa lírica" por "Prosa". Quem sou eu pra dizer se é lírica ou não?