quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Aos dezessete

Devo confessar-me pouco propenso a radicalismos esses tempos. Não sei se é somente uma questão de mudança humana ou apenas o meio exercendo seu poder sobre o ser. O fato é que, de uns tempos pra cá, tenho preferido pegar o "caminho do meio", como disse Buda; como sempre, tenho dado preferência às alternativas que melhor me aparentam. Mas essas têm sido, não raramente, as "do meio". Talvez por causa da idade – não, não me considero velho, não é isso, mas com ela – a idade – vêm mudanças, e digo isso não no sentido de "muita idade", mas antes no sentido de número de vezes que viu as quatro estações, ou número de aniversários que já teve. Sim, com seus 17 anos o mundo ainda te olha com um leve desprezo por suas idéias que subestimam como "infantis" ou "ingênuas", mas este não passa de inveja, porque aos dezessete ainda conserva plenamente o vigor da juventude e aproxima-se da busca por opções na vida adulta. Logo, tem o poder de balancear. Escolhe não aquela que parece ser a única opção, – pois não parece ter únicas aos dezessete – mas sim as que deixam espaço para consertos ou até mesmo mudanças. Trata-se, provavelmente, do fato de subconscientemente saber que ainda muitas outras virão e não deve se fechar a mudanças tão cedo quanto os dezessete possam aparentar. E, embora possa parecer, aos dezessete a vida não é fácil. Certamente não são as mesmas complicações de uma vida plenamente adulta, mas é justamente essa dúvida entre partir ou não para esta que fazem aquelas tão difíceis quanto – aparentemente. Não duvidem de nós! Nossos atos têm tanta conseqüência quanto os seus para o futuro, ou até mais. Nós somos o futuro, aqueles que terão que recriar as bases social, monetária e humana, e que terão muito mais peso em suas mãos do que é possível imaginar. E, agora finalmente voltando ao nosso assunto principal, espero que façamos tudo isso com ele. Ele que governa nossas ações e que nos fará pensar nos outros tanto quanto – ou mais – do que em nós mesmos: o amor. Então, a ele!

Rio, 14 de novembro de 2007
(aos dezesseis anos)

Um comentário:

viniciusposeidon disse...

Acho incrivelmente válida a valorização que você dá ao amor, já que o mesmo está tão desvalorizado nessa nossa sociedade que há tempos não acredita nesse sentimento. Muito interessante você manter viva a ideia de que o amor ainda existe e merece valorização.