quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Inauguração


Já cansei de blogs. Não me entendam mal, a ferramenta é genial, o problema está em mim. Sempre que me proponho a fazer um, crio metas: organizar os esparsos escritos dos últimos tempos, separar por temas, criar um layout agradável (ou pedir a alguém que o faça, o que é mais provável) e muitos outros planos que nunca deixam de ser apenas planos. Não sei se era falta de paciência; não me atrevo a mais essa auto-análise consciente, no momento. Peço a todos (leia-se eu mesmo) que não se apeguem demais ao site, pois que não tenho a menor intenção de comparecer diariamente, nem mesmo semanalmente; tampouco digo que minhas aparições serão esparsas. Pretendo vir, literalmente, sem regra e sem exceção. Não haverá periodicidade, linearidade, temas em comum, estilos de época, citações, sonetos, coerência — ou talvez haja tudo isso e eu não enxergue. O que importa é que esse pequeno local conterá apenas um ser humano, com todas as complexidades, camadas e devaneios que isso implica. E por isso, pelo ser humano, cá vou eu novamente - ou lá vou eu, vai saber. É como já bem dizia o poetinha: que seja infinito enquanto dure.

Explicito e explico abaixo as categorias criadas por mim, a título de organização:

Ficção: narrativas ficcionais;
Não-ficção: narrativas não-ficcionais;
Dissertação: textos opinativos, segundo a norma dissertativa;
Opinião: textos opinativos, segundo norma nenhuma;
Poesia: escritos do gênero poético;
Prosa: devaneios, fluxo de pensamento, incoerências;
Resenhas: críticas, comentários.
Aforismos: frases.

Não devo negar que a ironia de começar um blog dizendo que já havia me cansado de blogs me atraiu (tenho um fraco por contradições). Mas devo também assumir que a paradoxalidade de cada um dos escritos (este, inclusive) é minha e, portanto, eu. A complexidade é o mundo, do único modo como o conheço: através de mim mesmo. E, nesse mundo, estão inclusos todos os seres humanos (eu, inclusive). Esse blog, acho, é e será sobre isso. Ou não, sei lá.

Não é à toa que esse blog nasce no mesmo dia que eu, dezenove anos depois. Agora, o motivo pelo qual isso não é à toa ainda não nos é sabido.

Peço paciência, pois um escritor (não apenas os que fazem disso uma profissão, mas toda e qualquer pessoa que sentenciona palavras de modo a formar uma idéia, ou imagem, ou o que quiser) se revela em doses homeopáticas. E, por vezes, inconscientemente.

Rio, 26 de novembro de 2009 

Editado em 7 de abril de 2010: "Prosa lírica" por "Prosa". Quem sou eu pra dizer se é lírica ou não?

Um comentário:

Anna Luiza Machado disse...

Boa iniciativa!
Já ouvi algumas dessas coisas por aí...

Beijo!