segunda-feira, 15 de março de 2010

O que há

Nada começa, nada termina, nada pausa. Tudo apenas está. E isso é o que existe: uma interminável sequência de “estás”, um atrás do outro, afogantes, asfixiantes, liberadores, vivos, intensos e intangíveis. Talvez por isso fujamos tanto do presente – porque achamos que, ao tentar tocá-lo, ele já não estará lá. Mas, se não é o presente que está lá, então o que é? O passado, o futuro? Não, é ele mesmo, o eterno presente, mas com uma diferença: ele é outro. A cada instante, a cada fração de segundo, o presente muda; não há no que se agarrar, não há coisas em comum, não há corda para descer ou subir, há apenas o fato de que tudo muda – e isso nos assusta. Mas não deveria, pois ao notar que tudo muda, percebe-se o outro lado da moeda: nada muda, pois nada há para mudar, nada há com o que comparar, apenas há.

“Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.”
- Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)


São Paulo, 15 de março de 2010

Um comentário:

Nah disse...

Tudo que está vivo, está em transformação.
Eu não sou
Eu não estou
Eu devenho.


beijos querido...saudades!