quinta-feira, 29 de julho de 2010

Atlas rumo a Occam

Por isso carrego tudo: por não saber carregar. Cada peso, cada coisa, traz consigo o mundo inteiro e a recíproca é verdadeira. Só existe o medo de soltar o peso e ele te esmagar. Saímos de si, saímos de tudo para nos julgarmos donos de algo, senhores de alguma verdade relativa que só existe dentro de nossos próprios cérebros. Somos nada. Senhores de coisa alguma. Temos, em nossas mãos, o destino do mundo inteiro e nem por isso nos tornamos chefes do que quer que seja. Somos o futuro, mas nem por isso ele nos pertence; somos o passado, mas nem por isso ele nos obedeceu; somos o presente, e continuaremos a ser inconstantes a cada passo. Humanos demais, e graças a Deus, ironicamente. Somos uma multidão de Atlas a levantar com os ombros esse peso insuportável de ser normal. Porque é tão difícil soltar? Porque é tão difícil saber, sentir, tocar, amar, pensar? Não é! Não é! Não é! O problema, no fim das contas, é que é fácil demais. E, numa escolha, a nossa última escolha seria a de Occam. Mas assim tem que ser, pois depois dela não existe nada. Ou melhor, existe o vazio. Existe tudo. Existe nós, de verdade, sem máscara e sem forma e sem nome e sem nada. E com tudo.

Rio, 29 de julho de 2010

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