quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fênix I

sê novo a cada instante
se reinvente e recrie
das cinzas a fênix renasce
dá as costas ao mundo antigo
abraça o mundo novo
o braço é teu e todo
só novo e cinza e fogo
sou eu, finalmente, tudo

Rio, 28 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

De rotina e algemas

A rotina constantemente busca te sufocar, mas suas intenções são as melhores: ela espera que você a transcenda, perceba que na verdade ela não existe, pois tudo é novo, tudo é frescor, tudo é vida, nada se repete, nada é igual. Nós é que deixamos que ela se imponha superficialmente, mas não é preciso! O prazer de quebrar a rotina somente é possível quando a falha de permitir que ela se instale é não-intencional. Fora isso, não há prazer, não há rotina, não há eu. Quando a intenção de notar que cada momento é único deixa de ser intenção, passa a ser conceito, deixa de ser conceito e passa a ser vivência, todas as nomenclaturas falham. Não há A nem Z, não há começo nem fim, e sim um eterno transitar de formas no espaço. Não há rotina. Há um eterno escolher, e o escolher somente leva em consideração a rotina ao se remeter ao passado. Ao manter-se no presente, o escolher é livre de todo e qualquer resquício de sufocamento. Não há, finalmente, algemas das quais se libertar, pois tudo é chave — inclusive as próprias algemas.

Rio, 20 de outubro de 2010