sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fernando Pessoa nº 1 (Alberto Caeiro nº1)

(do poema "O Guardador de Rebanhos")


XXII

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que o sinta
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Um comentário:

Malu Paixão disse...

belíssimo!!!!!!!!!!!!...