domingo, 28 de novembro de 2010

Quando eu me for

Quando eu me for
e o corpo vazio restar entre árvores
não me façam estátuas
não me forjem placas
não me façam mito
não me ergam monumentos.

Quando eu estiver longe e perto
e a vida sem nome planar entre pássaros
lembrem, mas não se apeguem
guardem, mas não endureçam
chorem, mas não por tristeza
vejam, mas não se fixem.

Quando tudo for justo
e o plano findar, escrito em linhas longas,
vejam meus olhos
doem meus órgãos
cremem meu corpo
joguem meus restos.

Aonde?
Não sei. Nem me interessa...
Não sou meus restos, não sou meu corpo, não sou meus órgãos, não sou meus olhos,
Não sou Gabriel, não sou José, não sou Fernando, não sou humano.
Sou vocês, sou as árvores, as estátuas, as placas, os mitos e os monumentos,
Sou eu mesmo, sou os pássaros, sou os olhos, os órgãos, os corpos e os restos.

E em tudo que lembrar a minha presença, saiba que ali não estou.
E estou, justamente, ali.

Rio, 19 de novembro de 2010

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