quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Conclusão do 2º período de Bacharelado em Teatro, na UniverCidade

Trabalho apresentado à profa. Ms. Thereza Rocha como requisito ao ingresso no terceiro período do curso de teatro.

A respeito do uso da primeira pessoa em texto dissertativo, veja http://omundoqualquer.blogspot.com/2009/12/conclusao-do-1-periodo-de-bacharelado.html 

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As pontes do ser

"O que for, quando for, é que será o que é."
- Fernando Pessoa ou Alberto Caeiro?


     Uma ponte, um rio, duas margens. Essa é a imagem que se forma enquanto tento transmutar em palavras as vivências dos meses de estudo no segundo período do curso de teatro. Penso que foi durante a leitura do livro “Técnica para o ator”, da atriz Uta Hagen, que pela primeira vez esse conceito abstrato, já presente em divagações, se tornou algo um pouco mais concreto. No capítulo “Identidade”, ela nos apresenta a noção de que, na atual sociedade, nós “compartimentamos e caracterizamos nosso comportamento até que nossa auto-imagem se torna um clichê ou um estereótipo, tal como faz nossa preconcepção a respeito dos personagens que queremos interpretar” (HAGEN, 2007: p. 37). Em seguida, a atriz e diretora americana propõe uma desconstrução da visão que se tem sobre si próprio e que impede, muitas vezes, uma aproximação mais particularizada e humana das circunstâncias propostas pelo dramaturgo. Não vejo, no entanto, essa desconstrução como negar o que se é, mas sim como perceber que isso difere do que se acredita ser. O que existe é uma ampliação daquilo que o ator se possibilita vivenciar e que o fará identificar-se com o ser humano por trás das ações. É aí que vejo algumas pontes ligando as margens. Entre sua auto-imagem e a imagem que faz do personagem, está o ator no ato da experimentação cênica; entre a palavra cotidiana e a literária, está a palavra como elemento do jogo teatral; entre o que se acredita ser e o que se permite ser, está o que se é naquele momento. Percebo também que o ator não simplesmente transita por ali, mas se faz ponte; e ao contrário das outras, não fica acima do rio, mas dentro e fora dele, encharcada e seca, objeto e reflexo. Ele permite, então, que a vida no palco, como um rio que nunca é o mesmo, se dê aqui e agora nas duas margens — e difira de ambas.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
HAGEN, Uta. Técnica para o ator: a arte da interpretação ética. São Paulo: Martins, 2007.

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