quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aldous Huxley nº 1

(do livro "As Portas da Percepção")

Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros; mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Os mártires penetram na arena de mãos dadas; mas são crucificados sozinhos. Abraçados, os amantes buscam desesperadamente fundir seus êxtases isolados em uma única autotranscedência; debalde. Por sua própria natureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão. Sensações, sentimentos, concepções, fantasias — tudo isso são coisas privadas e, a não ser por meio de símbolos, e indiretamente, não podem ser transmitidas. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as próprias experiências. Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares.

Muitos desses universos são suficientemente semelhantes, uns aos outros, para permitir entre eles uma compreensão por dedução, ou mesmo por mútua projeção de percepção. Assim, recordando nossos próprios infortúnios e humilhações podemos nos condoer de outras pessoas em circunstâncias análogas: somos até capazes de nos pormos em seu lugar (sempre, evidentemente, em sentido figurado). Mas em certos casos a ligação entre esses universos é incompleta, ou mesmo inexistente. A mente é o seu campo, porém os lugares ocupados pelo insano e pelo gênio são tão diferentes daqueles onde vivem o homem e a mulher comuns que há pouco ou nenhum ponto de contato na memória individual para servir de base à compreensão ou a ligações entre eles. Falam, mas não se entendem. As coisas e os fatos a que os símbolos se referem pertencem a reinos de experiências que se excluem mutuamente.



PS: Longe de mim querer sequer me aproximar da pontinha do dedo do pé da genialidade dele, mas nós chegamos a conclusões parecidas, vide Uma ilha.

5 comentários:

Pedro Martins disse...

Cara, você é absurdamente inteligente!

Gabriel M. Falcão disse...

Não fui eu que escrevi esse texto não! O autor é o que tá no título... Tanto que o post tem o tag "Citações". Mas que bom que gostou, eu também acho genial!

Pedro Martins disse...

Sim, sim, conheço Aldous Huxley, muito pouco, mas conheço. Li o Admirável mundo novo e fiquei ansioso pra ler As Portas Da Percepção, que até agora não consegui. Achei inteligente foi a sua análise e como você chegou realmente perto do cara!
Acredito também que somos cercados por nossa prórpria percepção, e que tudo que conhecemos na verdade não passa de interpretações, mas quero me aprofundar mais no assunto.
Abraços!

Gabriel M. Falcão disse...

O "Portas da Percepção" é sensacional! É uma viagem, no melhor sentido da palavra! Depois que ler, compartilhe aqui seus pensamentos sobre o livro.

Abração!

Nicolas disse...

Não se sinta menos nunca!!!Todos somos únicos a diferença é a importância q damos as coisas em si!!! Se ajudar, muitos irão ver uma pedra e a usarão para machucar ou coisa pior, outros poderão usar para criar algo produtivo, assim como ele q usou peiote e criou algo produtivo!!! Pense q vc não teve q usar nada além de sua percepção para chegar a alguma conclusão!!!