segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fernando Pessoa nº 2 (Alberto Caeiro nº2)

(dos "Poemas Inconjuntos")

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para enxergar as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.



Ainda no clima do post anterior, Yongey Mingyur Rinpoche nº1, sobre janelas, mentes e afins.

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