sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sem título de 14 de janeiro de 2011

Transitando por planícies a volitar em amor, penso ser o que nunca fui. As árvores passam sob meus pés e flores nascem em cachos ao redor, vejo que nunca sei o que fui e nunca saberei o que sou. Inominável do fio ao dedo, incognoscível como tudo é, sigo caminhando sobre as águas e chorando pelos cantos. Submerso em mim mesmo, respiro ao adentrar outras consciências, sabendo que somos um e momentaneamente separados em nossas prisões corpóreas. E que cantei contigo e choramos e amei teus olhos, que agora miram outro e vêem nele o objeto amado e pedem que eu siga a correr, nunca fugindo. Sempre fugindo. Vejo-me em ti e isso dói, peço-te que subas no meu ombro e não o fazes, por medo de ti e de mim e de nós e do mundo. Não me amarre a si, permita-me vôos mais altos, mais intensos, mais verdadeiros. Permita-me ser o que nunca fui e o que sempre serei. Sempre novo, o refúgio é a saída e a saída é sua própria mente. Correndo pelos ares, penso ser o que nunca fui. E percebo que já o sou. E sempre serei.

Rio, 14 de janeiro de 2010

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