segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sem título de 7 de fevereiro de 2011

Os caminhos insondáveis da vida, onde cada efeito se faz causa e vice-versa, traçando até os primórdios da Criação, mais insondável do que qualquer outro lugar no espaço-tempo, sempre conseguem me maravilhar. Há tantos ângulos, tantas junções, tantos descaminhos nessa teia-Universo que cai-me o queixo a cada esquina, cada surpresa e cada olhar que cruzo. Num eterno ir e vir, onde a oscilação é tão certeira quanto a profundidade, nós existimos. Pura e simplesmente. Num mundo onde códigos regem nosso pensar, é surpreendente a descoberta de que esse mesmo mundo prescinde de códigos. O Universo existe por si, chamemo-lo ou não assim, e nós fazemos parte dele. Existimos à parte de convenções e símbolos — Istigkeit. Boiando em um oceano do qual insistimos em realizar apenas a superfície, esquecemos das raízes de nossos troncos-seres, das bases de nossos icebergs-consciências. Percebendo a nós mesmos como limitados, galhos, tips, esquecemos de olhar mais fundo no oceano e ver que a própria percepção, por sua condição eternamente aberta a novos estímulos, demonstra sua infinitude e abrangência. Aprisionados fisicamente em limites individualíssimos, caminhamos como gigantes cegos de sua própria altura, crendo-se menores que montanhas e edifícios. Persistindo como seguidores dos que se percebem Absoluto, não vemos que cada caminho é único e dele somente podemos compartilhar as indicações, não o toque da grama sob nossos pés.  Por isso, até que sintamos o frescor do orvalho sob nós mesmos, continuaremos como um cego que têm a imensa sorte ou azar de sentar-se ao lado de alguém disposto a lhe descrever um pôr-do-sol.

Rio, 7 de fevereiro de 2011

Um comentário:

Anônimo disse...

como sempre tudo oq voce escreve é lindo, parace ate um ano falando
mas nao entendi este teu belo texto
so o final, mas será que é isso mesmo q eu entendi?

fernanda viviani