terça-feira, 19 de abril de 2011

A mim mesmo


Quando tive a mim mesmo,
Pela primeira vez,
O mar sorriu
E também o rio.
Apertei-me contra seu fundo
E, enlaçados,
Misturamo-nos aos outros.

Tive, então, a sensação de mim
Em tudo.
E tudo (que era eu) me abraçou
E eu sorri.

Mas o mundo não ficou mais claro,
Nem o céu mais lindo,
Ele permaneceu o mesmo de sempre.
(De nunca.)
Quem mudou fui eu
E, portanto, tudo.

E ao ver tudo mudar, notei-me em mim
E tive a mim mesmo
Pela única e eterna vez.

Rio, 19 de abril de 2011

3 comentários:

Nicolas disse...

Prefiro achar que a simples visão eufórica e calma do fundo do espelho nos torna melhor qd sozinhos e distantes, assim como a teoria do vazio absoluto. Somos simples e complicados.

Gabriel M. Falcão disse...

... tô pensando sobre o que você falou... depois digo o que pensei.

Andrè Dale disse...

é bom de ler!