sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nocturne in G

para F.

Sutilezas e silêncios caindo sobre nós e cercando a vida, expandindo-nos para além de nossos próprios limites, a noite é, em si, a permissão para a imaginação, onde o não-visto faz-se visível e vice-versa. Sabendo que caminhamos protegidos por seu acolhedor negrume, a caminhada é transformada, torna-se peregrinação para dentro de nós mesmos; o recolhimento que propicia, aliado à expansão supramencionada, abrange a infinitude do mundo, ainda que a nível intuitivo (pois expandido-nos não apenas para fora, mas também para dentro, abrangemos nosso Universo-ilha como é). Aquilo que ocultamos na invasora luminosidade do dia é revelado sob a maternal escuridão norturna. À revelia de nós mesmos, somos completos quando do contato com a imensidão de um céu estrelado que nos diz tanto, apenas por existir.

Assim, a melancolia de nossa própria existência desprovida de sentido conceitual gera a compaixão eterna de uma alma por suas semelhantes, fazendo com que através de sua arte ela busque revelar a total auto-suficiência de, simplesmente, ser. Entre estas missionárias de si mesmas conta-se o azulado brilho de F. A ti, sempre, minha imensa gratidão por embalar a vida com sua majestosa melodia, tão sincera quanto palpável.

Rio, 8 de abril de 2011

Um comentário:

Pedro Martins disse...

Cara, me sinto na obrigação de tomar um chopp e bater um papo contigo pra ver se absrovo um pouco do que você escreve em seus textos!