sábado, 4 de junho de 2011

Sem título de 4 de junho de 2011

Nesse mesmo corpo por onde agora a vida corre, penso sobre o instante no qual seu leito secará. Será que saio de mim? Simplesmente deixarei de ser? Sairá a vida de mim ou eu sairei da vida? Serei, então, eu mesmo? Se não eu, então quem? Tanto fiz e faço que não sei se o que fui e serei é aquilo que um dia pensei; de tudo, no entanto, uma coisa é certa: a morte. Reunido comigo mesmo num estado de não-existência (poderei chamá-lo de existência, contrapondo-o a essa que agora noto existir?), vibrando em frequências inimagináveis, alço vôo rumo à lua, aquela mesma que me observa agora, formiguinha a passear, crendo-se gigante inatingível. Ri de mim, e eu rio dela, brilhando solitária sua luminosidade furtiva e furtada. Juntos, rimos e vivemos, cada um dentro daquilo que lhe cabe. Ela, brilha; eu, escrevo. Ela, gira; eu, percebo. Conta-me um segredo, sussurrando ventanias: essa mesma vida que agora habita aqui, há de seguir seu curso, rio inexorável de si mesma, livre de represas e desvios. Pois a morte, quando vier (e virá), será o fim de mim — mas não o meu fim.

Rio, 4 de junho de 2011

3 comentários:

Anônimo disse...

você me surpreende! parabéns!

Anônimo disse...

você surpreende! parabéns!

Gabriel M. Falcão disse...

Obrigado, Anônimos! (Será que é o mesmo Anônimo?)