domingo, 10 de julho de 2011

Leternidade

a Rimbaud

A eternidade foi encontrada:
É a terra e o pé ao Sol!
Por ela os meninos brincam o caminhar;
e os homens procuram entender.
Olham sempre para baixo, tentando ver :
onde seus pés os levam a pisar,
onde vão chegar pelos caminhantes pés.
O olhar-menino percorre o mundo,
pára em nada (ou pára em tudo,
que é a mesma Coisa).

A eternidade foi encontrada:
É o céu e o Sol ao pé!
Nela o olhar-criança mergulha,
enquanto os homens apreciam,
à distância, a moldura.
Verticalmente trans-vendo,
as crianças brincam aos homens
a possibilidade de mastigar o mundo,
encharcar-se por ele,
mantendo-se sempre seco ao Sol.

A eternidade foi encontrada:
é a Coisa e em tudo habita!
É nunca o que parece ser,
e apreendida, torna-se
representação de si.
Porém mostra-se toda ao olhar-criança
que não supõe ser ativo o ouvir,
que se põe à disposição do que ela fala, e conta de si
como realmente é, e não como a vê.

A eternidade foi encontrada:
é a Coisa e o lar de tudo!
É sempre o que se vê que é,
pois ao aparentar ser, se torna,
e se oculta ao olhar-adulto
que busca ativamente entender;
não percebe precisar que ela se dê.
E ela, que nunca quer ser entendida,
não se dá a quem procura,
mas a quem vê.

A eternidade foi encontrada:
é ela e você.

Rio, 10 de julho de 2011

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