quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sem título de 3 de agosto de 2011

O caminho à frente é sinuoso, segue por estradas nunca dantes percorridas, esgueira-se por abismos onde o menor tropeçar seria sucedido por quedas rumo ao céu e à terra em simultaneidade, sussurra por teus ouvidos e lânguidamente convida-te a vir passear por ele, sem placas ou avisos de navegações cujo fim foi anunciado no início de si mesmo. Seguindo a caminhar no entanto tu procuras meus olhares carinhosos e não enxergas minha presença a teu lado, embora tua mão segure a minha inconscientemente, à tua frente a tua mente te torna cego, faz-te escravo dela, te subjuga à prensa calorosa contra a tela luminosa que lhe é peculiar. Aos lados e também por cima e por baixo, teus olhos choram lágrimas de sal e vinho, tu corres a te esconder sob o ramo frondoso de uma qualquer árvore, que ri de ti enquanto te concede o abrigo momentâneo dos olhares serpentinos de alguém que se esconde nas matas. Subimos a montanha e fincas tua bandeira, sem ter desenhos ou mesmo bordas e fazes de mim teu eterno amigo, sabendo agora que a minha presença foi sempre a mesma e eu estive, durante todos os momentos, a teu lado e abaixo e acima e à frente e atrás de ti, e também dentro e também fora e também nos outros e também em mim mesmo. Fui para ti aquilo que sou para mim, pois na eterna caminhada rumo ao auto-encontro, o ponto final da descoberta é quando percebe-se que agora, onde há dois, há apenas um. Eu, tu, nada, tudo. Abre teus olhos e vê a mim, como sou, vê a ti, como és, vê a nós, como sou, vê tudo, como é, vê o ser, como nada, e vê a si, como tudo. A caminhada transformada há de prosseguir, pois encontrar-me no ponto final, ao contrário do que imaginam tantos, não é o fim, mas apenas o recomeço, em outro nível e outra percepção do mundo como um reflexo dele mesmo e, portanto, de ti.

Rio, 3 de agosto de 2011

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