terça-feira, 4 de outubro de 2011

O ser (e o sei) e o tempo

Só se pode saber do que já morreu, do que já não é, 
o que agora-sempre está sendo é insabível.
O mundo sabido é eterno cadáver de si,
sempre um passo atrás de seu próprio existir.

Com um espelho eternamente desconhecido nas mãos,
o saber olha sempre seu próprio rosto e sempre vê o que já foi.

Eu, parte desse mundo todo e todo desse mundo-parte,
sempre vendo um passo atrás do que de fato sou,
sendo um passo à frente do que de fato sei,
sei que meu saber é o vice campeão de mim mesmo,
que do existir não há saber, embora o saber, de fato, exista.

Ser é um sempre novo não-saber.

Rio, 4 de outubro de 2011

2 comentários:

Teodora Flúida disse...

Gabriel Lispector :)

Gabriel M. Falcão disse...

Que honra (embora generosa demais comigo)! Muito obrigado mesmo assim!

PS: Adorei seu nome!!!