sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Retir.

O que poderia ter sido e o que de fato foi
Apontam para um mesmo fim, que é sempre presente.
(T. S. Eliot - "The Four Quartets")


No retirar-se por um constante e inequívoco momento eterno, em meio à vida outra que rodeia o lugar, propiciam-se a cair por terra as máscaras e armaduras e peles segundas; nas labaredas antropomórficas de um fogo que sai de si sem nunca se perder, queimamos nós e cordas que nos prendem ao conhecido, ao velho, ao medo; no caminhar silencioso por sobre a lama em meio à mata, ouvimos tudo aquilo que nunca foi dito por nenhum humano, e que a natureza nunca pára de sussurrar; ao longe, o ressoar de um tambor, o chacoalhar de um pandeiro, o canto de vozes cristalinas — tudo anuncia a presença de seres que se reúnem em sua diversidade prismática para formar um novo todo, em eterno desequilíbrio manifesto de um plano potencial onde nada existe, onde nada falta; sem palavras, sem imagens, sem símbolos — e portanto com tudo isso — um Alguém nos convida ao desapego último, o de si mesmo, à entrega final, a do conhecido, ao eterno redescobrir de um Ser que se faz sem nunca se fazer, que é nunca algo e no entanto nunca deixa de sê-lo... Assim, caminhamos inexoráveis, ainda que em meio a tropeços e retomadas de máscaras antigas, rumo ao ímã último, que nos conclama a perceber que ele e o ímã primeiro são um e o mesmo, e no entanto dois e diferentes — e no entanto um, e o mesmo.


Campinas, 2 de dezembro de 2011

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