domingo, 29 de julho de 2012

Eva

Pequenos olhos teus me vêem
(menores, profundos, sorriem)
e sou feliz.

Quero ser tua mente-irmã, ser
teu ombro-amigo, ser teu peito-amor.
Quero ter tuas mãos em laço, ter
teu corpo-seda, ter teus lábios junto.
Quero ver tua alma toda, ver
teus olhos dentro, ver teu sôpro nu.

Junto a ti sentar-me, de volta às casas:
e amparar teu fardo com meus braços,
e secar tuas lágrimas com meus olhos,
e beijar-te a testa com meu ombro.
P'ra sempre queria-te assim, aqui.

Pensei mesmo em ser-te
aquilo que acho
que queres que seja.
Pensei mesmo em ser outro:
achar o que buscas,
me pôr a destino.
Pensei mesmo em ser só
ver que sou novo,
já teu todo outro.

E vi: o único eu que ressoa em ti
o único que te é algum que precisas,
único que te quero ser sempre,
não é outro senão o que sou —
e tudo que ele é.

E por quanto tenho pensado,
efeito de uma mordida
na maçã nunca-proibida,
lançaste-me em meio à Terra
(o sempre-novo mundo do sentir) —
tal qual Eva nessa minha vida.

Pequenos olhos teus me vêem
(menores, profundos, sorriem)
e, de novo, sou feliz.

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